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A pintura de Fernanda Valadares começa por uma escolha de tempo: a encáustica, técnica que remonta a um milênio antes de Cristo, impõe à artista um ritmo de trabalho que se opõe à velocidade da vida contemporânea. Cera de abelha pigmentada é aquecida e depositada em camadas sucessivas sobre madeira, cada camada fundida à anterior pelo calor — um processo cujo resultado guarda, na própria matéria, o tempo gasto para produzi-lo. Não é uma escolha apenas técnica, mas uma posição: a obra se constrói devagar, e essa lentidão é parte do que ela diz. 

O repertório de imagens de Valadares se divide essencialmente em dois polos, que terminam por se revelar como a mesma questão: arquiteturas vazias — corredores, escadas, celas, prisões fora de uso — e paisagens desabitadas, recortadas por uma linha de horizonte que uma montanha, ao longe, interrompe. Em ambos os casos, a figura humana está ausente; o que resta é o espaço como vestígio de uma presença que não se vê. Suas fontes raramente são observação direta: vêm de fotografias de viagem, de registros de sistemas carcerários publicados online, de renderizações usadas em anúncios imobiliários, de capturas de vídeos de jogos eletrônicos. Às vezes a artista também está ausente. Essas imagens, retiradas de seus contextos originais — documental, comercial, lúdico —, são traduzidas pelo desenho, pela projeção e, por fim, pela cera, que as devolve como outra coisa: mais densas, mais silenciosas, despidas da função que tinham antes de entrar na pintura. 

É nessa passagem — do registro ao símbolo — que se organiza a tensão central do trabalho: entre intimidade e imensidão, entre reclusão e liberdade, entre o que se mostra e o que permanece oculto. Séries como Carceri e Isolamentos tomam de empréstimo arquiteturas de confinamento real — ilhas-prisão hoje convertidas em destinos turísticos, presídios desativados — não como denúncia, mas como estudo de como um mesmo espaço muda de sentido quando muda de função ao longo do tempo. Já em Outeiros, a elevação do terreno funciona como obstáculo e, ao mesmo tempo, como promessa: o serro que bloqueia a vista é também o que, uma vez vencido, revela a paisagem do outro lado. 

Os títulos, nesse conjunto, não cumprem função descritiva. Funcionam como uma segunda camada de sentido, paralela à imagem, e revelam uma artista para quem a palavra pesa tanto quanto a cor. Pintura e título avançam juntos, e é nesse encontro — entre o que a imagem mostra e o que o nome sugere — que o trabalho de Fernanda Valadares pede ao espectador não pressa, mas presença. 

exposições individuais

2024

Liberdade é Pouco

Centro Cultural Octo Marques (SECULT Goiás)

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Marilia Panitz

2024

La inmensidad del lugar y la intimidad del espacio (y vice versa)...

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texto curatorial Alexia Tala

2023

Chiasma

Ocre Galeria Porto Alegre

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texto curatorial Charlene Cabral

2023

Espejismo

Aura Galeria São Paulo

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texto curatorial Paula Braga

2022

O som que o silêncio esconde

Galeria Mamute Porto Alegre

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texto curatorial Henrique Menezes

2021

The fourth moment

Aura Galeria São Paulo

2015

Aqui o Aquí

Galeria Sancovsky - São Paulo

2015

Horizonte Difuso

O Sítio - Florianópolis

2015

Depois:

Galeria Mamute Porto Alegre

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texto curatorial Gabriela Motta

2014

Na Adega Evaporada

MAC/RS

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texto curatorial Paula Ramos

2014

À Beira do Vazio

Museu de Arte de Santa Catarina

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texto curatorial Paula Ramos

2014

O Sétimo Continente

Projeto Zip’Up - Galeria Zipper São Paulo

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texto curatorial Bruna Fetter

2012

Museu de Arte Extemporânea

Goethe Institut Porto Alegre

exposições coletivas

2024

Paisagens ocupantes do pé ao pico

Respiro Rural

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Guilherme Pinheiro

2024

Reforma: formas de ver

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba

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Carolina Loch e Joanes Baraúna

2023

Pode o infinito caber no vazio

Boobam

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Carollina Lauriano

2023

Arquiteturas improváveis

Aura

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Gabriel Kogan

2021

Um teto todo nosso

Aura, SP

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Carollina Lauriano e Charlene Cabral

2021

Artistas Gaúchos na Fundação Iberê

Fundação I. Camargo

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Emilio Kalil

2020

Flutua: em diálogos ressonantes

Galeria Mamute, Porto Alegre

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Paula Bohrer

2017

Algumas coisas que amanhã...

Atelier Imprevisto, Sorocaba

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Josué Mattos

2016

MAC/MON: um diálogo

Museu Oscar Niemeyer, Curitiba

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2016

Ensaio Sobre o Visível

Galeria Mamute, Porto Alegre

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Ana Albani

2015

Interdito

MUnA, Uberlândia

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Sandra Rey + Beatriz Rauscher

2015

Interdito

Galeria Mamute, Porto Alegre

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Sandra Rey + Niura Borges

2014

The War of Art: visions from behind the mind

The Safari, NYC

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W. Neumann

2014

De Longe e de Perto

Galeria Mamute, Porto Alegre

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Angelica de Moraes

2014

Gatomiacachorrolateegomata

Galeria Tina Zappoli

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Porto Alegre/RS

2013

Poéticas em Devir

Galeria Mamute Porto Alegre/RS

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Curadoria Sandra Rey

2013

Um Novo Horizonte

Galeria Tina Zappoli

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Porto Alegre/RS

2012

Contemporâneos Novos/ Diante da Matéria

20 anos MAC/RS

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curadoria Paula Ramos

seleção em salões / premiações

2015

6º Salão dos Artistas sem Galeria

Mapa das Artes, São Paulo

2015

Prêmio Açorianos RS - Destaque em Pintura

RS

2014

65º Salão Paranaense

MAC, Curitiba

2014

42º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto

Santo André

2013

64º Salão de Abril/CE

Fortaleza

2012

XIII Concurso de Artes Plásticas

Goethe Institut, Porto Alegre

2011

I Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea

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