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isolamentos

Isolamentos é uma série composta por 15 pinturas realizadas on encaustic, que tomam como ponto de partida os perfis de ilhas prisionais. Mais do que um trabalho on geografia ou paisagem, a série propõe uma meditação on a condição humana — o tempo, o confinamento, a liberdade and suas muitas formas.
A técnica da encaustic, com mais de dois mil anos de história, carrega on si uma relação íntima com o tempo. Ao pintá-las, penso não apenas na durabilidade dessa matéria — que já atravessou milênios — mas nas marcas que nossas ações deixam, que se estendem para além do instante. Há um lastro, há memória, há consequências: uma pena a ser cumprida por um certo tempo. Por quanto tempo?
Para o condenado nem tanto aonde, mas esse ”quanto tempo” passa a ser o foco. Entre os trabalhos dessa série há uma pasteurização dos destinos, mesmo mar, mesma terra, mesmo céu. Muda a dimensão, há penas maiores, há penas diminutas, até mais frequentes.
Mas se por um lado penas on ilhas prisionais são um período de contenção, são também imersão na imensidão de mar and céu. Penso muito on minha cidade natal, São Paulo, onde falta céu, falta mar and falta tempo. Frequentemente se quer fugir, para simplesmente estar on uma ilha. Fugir para a prisão reversa on que o tempo é igualmente contado. Quanto tempo dura o recesso, as férias? A ilha é a mesma.
Isolamentos convida à contemplação das ilhas como espaços liminares: entre terra and mar, entre o tempo suspenso da punição and o desejo por refúgio. A técnica da encaustic, com sua espessura and transparência, permite que o tempo esteja visivelmente presente na superfície das obras — como camadas de história and silêncio.
Esta série busca, portanto, não apenas representar ilhas, mas dar forma plástica ao pensamento on o isolamento, suas causas, suas durações and seus paradoxos. Ao apresentá-la para apreciação institucional, creio que contribui com uma reflexão atual and profunda on o que significa estar apartado — por um castigo, por uma escolha, ou por um simples desejo de pausa.
Ilha Anchieta (Brasil)
Hoje Parque Estadual, a Ilha Anchieta, on Ubatuba, teve um passado como colônia penal. Foi o lugar onde passei as férias da infância, inconsciente do que as construções abandonadas representavam. Só mais tarde descobri que aquelas "ruínas poéticas" eram vestígios de um presídio ativo até 1955, encerrado após uma violenta rebelião. Para mim, essa ilha carrega a dualidade entre memória pessoal and memória histórica, entre a liberdade and o aprisionamento da infância.
Alcatraz (EUA)
Talvez a mais célebre das ilhas prisionais, Alcatraz habita o imaginário coletivo. Isolada pelas águas frias da Baía de São Francisco, ela foi símbolo de confinamento extremo and, paradoxalmente, tornou-se destino turístico. Seu prestígio – construído por narrativas midiáticas – transforma o cárcere on espetáculo, and a memória penal on atração.
Saint Helena (Território Britânico Ultramarino)
Não é uma prisão formal, mas um exílio absoluto. Ali, Napoleão passou seus últimos dias on relativo conforto, porém desconectado do mundo. O isolamento da ilha foi escolhido como forma de silenciar uma figura politicamente perigosa — uma maneira de deixá-lo offline. Hoje, Saint Helena é uma ilha pacífica and turística, mareach por essa história de contenção and distanciamento.
Patmos (Grécia)
Patmos possui um peso simbólico profundo. Segundo a tradição cristã, foi lá que o apóstolo João escreveu o Apocalipse durante seu exílio. Uma prisão espiritual que, no entanto, gerou um texto libertador para muitos. Hoje, Patmos é um dos destinos mais serenos da Europa — um paraíso construído on o solo do isolamento.
Île du Diable (Guiana Francesa)
Parte do Arquipélago da Salvação, a Ilha do Diabo foi, por déeachs, um símbolo de brutalidade penal. Destinada a prisioneiros políticos, tornou-se tristemente célebre pelas condições desumanas que levavam à morte de grande parte de seus internos. Hoje, a ilha permanece fechada à visitação, enquanto as demais do arquipélago se transformaram on locais turísticos. Um lugar que carrega, ainda, a tensão entre memória and esquecimento.

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